Últimas do Mix

Mãe de autista denuncia clínica por negligência: “Morderam meu filho”

 

Imagem: Reprodução/Metrópoles

A mãe de um adolescente de 13 anos com autismo severo, denunciou ao Metrópoles, no último sábado (1º/10), a clínica psiquiátrica Recanto, localizada em Brazlândia, no Distrito Federal, por negligência. Segundo relatos da mulher, ela retirou o filho da instituição após perceber que ele apresentava diversos machucados pelo corpo e marcas de mordidas na parte de trás do ombro.

“Internamos ele na clínica em 14 de setembro, devido às graves crises que ele tem enfrentado e após indicação do psiquiatra o qual o acompanha há anos. No local, ele deveria ter sido vigiado 24h, enquanto testava um novo medicamento”, iniciou.

“Na terça-feira (27/9), no entanto, percebemos ele estava todo mordido e arranhado, e isso acendeu um alerta porque ele não costuma se arranhar, e não poderia morder as próprias costas”, disse a mulher.

Ao indagar funcionários sobre os ferimentos, ninguém soube explicar o ocorrido. Apesar disso, segundo ela, asseguraram “ficar de olho” no menino.

Quatro dias após o episódio, porém, enquanto solicitava informações sobre o filho, a mãe foi informada, outra vez, que ele havia se ferido. “Foi quando resolvi buscá-lo”, disse a responsável.

“Meu filho está praticamente dopado o tempo todo para ficar calmo. Quando pedi para enviarem fotos dele, meu menino estava todo machucado, outra vez. Eu acredito que possa ter sido um dos outros meninos autistas, pois eles ficam juntos, e não têm supervisão. Não tem enfermeiro olhando”, disse a mulher.

De acordo com a mãe, a clínica chegou a alegar que o menino tinha se flagelado, entretanto, ela diz não acreditar na versão. “Ele está com marca de mordida na parte de trás do ombro. Como ele conseguiria fazer isso? Morderam o meu filho. E outra, se fosse verdade o fato dele estar se arranhando a ponto de machucar dessa forma, por qual motivo ninguém interveio?”, completou.

Assustada, a família registrou boletim de ocorrência na 17º Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte) e submeteram o menor a um exame de corpo de delito.

“Não dá para descrever o sentimento de colocar o seu filho em um lugar para ser tratado por especialista e vê-lo assim. Conhecemos o nosso menino, sabemos como ele se comporta. É a segunda vez em menos de uma semana. Eu estou arrasada”, disse a mãe, emocionada.

Segundo a mulher, a clínica onde o jovem estava internado é a única preparada para receber adolescentes autistas no Distrito Federal. Para ela, toda a situação é muito triste e “escancara a negligência com a qual a instituição atuou com uma criança especial”.

Posicionamento da clínica

Procurada, a clínica psiquiátrica Recanto informou, por meio de sua assessoria jurídica, que após a internação do adolescente para “ajuste medicamentoso”, a equipe multidisciplinar observou que o paciente ficou ainda mais agitado e passou a se lesionar com maior frequência. A empresa ainda alegou: “O paciente estava apresentando quadro de agitação psicomotora, chegando a agredir outros pacientes”.

Segundo eles, mesmo com a supervisão da equipe durante os episódios de agitação, “o jovem chegou a agredir outro paciente, e ele revidou”.

“Diante de surto e quadro agressivo, o paciente, mesmo com as unhas aparadas, consegue se machucar e ferir o profissional que intervém. Por isso, todos os eventos e situações ocorridas são relatados nos prontuários médicos para as devidas providências e aos familiares”, declararam.

O centro médico negou qualquer tipo de negligência e garantiu a prontidão da equipe para intervir. Além disso, de acordo com a clínica, “não houve nenhum tipo de lesão grave, tendo sido verificadas arranhaduras e mordida em razão do surto psiquiátrico”. O espaço disse ter identificado, ainda, “lesões cicatriciais antigas, de aspecto arroxeado e coloração escura em todo o corpo”. Para eles, o fato mostra um comportamento repetitivo do menino se machucar antes mesmo de ser internado na instituição.

Mãe os acusa de negligência

Ao Metrópoles, a mãe do adolescente relatou que quando questionou a clínica sobre as lesões do filho, foi informada não haver registro no livro de ocorrências. Segundo ela, na segunda vez na qual o menor apresentou os ferimentos, uma funcionária comunicou, por meio do aplicativo de mensagens “WhatsApp”, que o jovem teria se “machucado em um momento de surto”.

“Mais uma vez, eu questionei sobre a falta de supervisão desses pacientes, sendo todos com um nível de comprometimento mental. Em nenhum momento recebemos uma informação clara e verdadeira da parte da clínica”, denunciou.

“Como deixam adolescentes com transtornos entregues uns aos outros? Eles precisam de supervisão 24 horas. Por isso estão em uma clínica com profissionais especializados, os quais sabem lidar com todas as adversidades”, sinalizou a mãe do adolescente.





Metrópoles*

Nenhum comentário