Operação Contenção no Rio de Janeiro deixa mais de 100 mortos e gera repercussão nacional e internacional
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| Foto: reprodução |
A ação, batizada de Operação Contenção, é considerada a mais letal da história do estado e mobilizou cerca de 2,5 mil agentes de segurança. Além das mortes, foram efetuadas 113 prisões, incluindo 33 suspeitos vindos de outros estados e 10 adolescentes, encaminhados ao sistema socioeducativo. O objetivo principal, segundo o governo fluminense, era atingir lideranças do Comando Vermelho e cumprir 180 mandados de busca e apreensão e 100 mandados de prisão, sendo 30 expedidos no Pará, que atuou em parceria com o Rio.
“A polícia entrou recebendo tiros”, diz secretário
Em coletiva de imprensa, Felipe Curi defendeu a legalidade da operação e rejeitou o uso do termo “chacina”, empregado por organizações de direitos humanos.
“Chacina é morte ilegal. O que houve foi uma ação legítima do Estado. A polícia não entra atirando, entra recebendo tiro”, declarou o secretário.
Curi afirmou ainda que todas as pessoas mortas são tratadas, neste momento, como autores de tentativa de homicídio contra agentes públicos, já que, segundo ele, teriam reagido à abordagem policial. Aqueles que se renderam foram presos.
Secretaria de Segurança minimiza número de vítimas
O secretário de Segurança Pública do Rio, Victor dos Santos, afirmou que, do ponto de vista do Estado, apenas oito pessoas são consideradas vítimas: quatro policiais mortos e quatro civis feridos sem gravidade. Segundo ele, os demais mortos seriam criminosos que optaram pelo confronto.
“A alta letalidade era previsível, mas não desejada”, afirmou.
Corpos foram retirados da mata por moradores
Durante a madrugada e manhã de quarta-feira, moradores e familiares localizaram e retiraram corpos de áreas de mata, levando-os até uma praça no Complexo da Penha. A cena causou grande comoção e revolta entre a população local.
Questionado sobre por que a polícia não recolheu os corpos ou prestou socorro, o secretário de Segurança respondeu que os agentes não tinham conhecimento da presença dessas vítimas.
“Todos aqueles corpos retirados pela comunidade eram de criminosos dos quais a polícia sequer tinha informação”, disse.
Armamento e drogas apreendidos
A operação resultou na apreensão de 118 armas, sendo 91 fuzis, além de grande quantidade de drogas — a polícia estima que o total apreendido chegue a toneladas. Segundo o governo estadual, a ofensiva representou o “maior golpe” sofrido pelo Comando Vermelho nas últimas décadas.
Críticas e denúncias
Entidades nacionais e internacionais de direitos humanos classificaram a operação como “massacre”. Especialistas em segurança pública alertam para o risco de violações e para o impacto da ação na vida de moradores, que ficaram expostos a intensos tiroteios, interrupção de serviços essenciais e pânico generalizado.

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