Perícia descarta falha em sistema de hospital e contraria defesa em caso da morte de Benício - Mix de Notícias

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Perícia descarta falha em sistema de hospital e contraria defesa em caso da morte de Benício

Foto: reprodução 

A Polícia Civil do Amazonas concluiu que não houve falha técnica no sistema eletrônico de prescrição médica do Hospital Santa Júlia, utilizado no atendimento ao menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, que morreu em novembro de 2025 após receber medicação na unidade de saúde. A informação foi confirmada pelo delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP).

Segundo o delegado, o laudo pericial elaborado pelo Instituto de Criminalística apontou que o sistema Tasy EMR, responsável pelas prescrições médicas do hospital, funcionava normalmente no período analisado e não apresentou qualquer defeito que pudesse ter causado erro automático na via de administração do medicamento. “O laudo conclui que não há falha no sistema e que a escolha da via de administração é feita pelo médico, sem qualquer alteração automática”, afirmou Marcelo Martins em entrevista ao g1.

A perícia foi solicitada durante o inquérito que investiga as circunstâncias da morte da criança. Em dezembro, a defesa da médica Juliana Brasil, que atendeu Benício, havia alegado que a indicação de adrenalina por via intravenosa registrada no prontuário teria ocorrido por erro do sistema eletrônico do hospital.

De acordo com os peritos, ao selecionar o medicamento “Adrenalina (Epinefrina) 1 mg/ml”, o sistema sugere automaticamente alguns campos, como dose, unidade e via intravenosa, por se tratar de uma configuração padrão. No entanto, o laudo esclarece que essas informações podem ser alteradas manualmente pelo profissional antes da finalização da prescrição e que o sistema não modifica a via de administração por conta própria.

Para comprovar o funcionamento da plataforma, foram realizados testes e simulações com os mesmos parâmetros utilizados no atendimento da criança. Em uma das avaliações, os peritos conseguiram alterar a via de administração de intravenosa para inalatória sem qualquer falha, bloqueio ou erro no sistema.

O documento também aponta que não foram encontrados registros de instabilidade, falhas técnicas ou problemas de processamento no período investigado. As análises ocorreram ao longo de cinco visitas técnicas ao Hospital Santa Júlia, entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, com coleta de dados, registros internos, capturas de tela e vídeos do sistema.

A Polícia Civil informou que o laudo técnico será fundamental para orientar as próximas etapas da investigação, que busca esclarecer eventuais responsabilidades no atendimento médico prestado a Benício. 


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