Médica é investigada após mensagens indicarem venda de produtos durante atendimento que terminou na morte de criança em Manaus
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| Foto: Reprodução |
Mensagens atribuídas à médica Juliana Brasil, obtidas a partir da extração de dados de seu celular, apontam que ela negociava a venda de maquiagem enquanto atendia o menino Benício Xavier, de 6 anos, que morreu após receber uma dose inadequada de adrenalina em um hospital particular de Manaus. O material foi divulgado com exclusividade pela Rede Amazônica.
Benício faleceu no dia 23 de novembro, depois de receber adrenalina diretamente na veia — procedimento que, segundo as investigações, não era indicado para o quadro clínico apresentado. Após a aplicação, ele sofreu sucessivas paradas cardíacas e não resistiu.
De acordo com a apuração, o menino deu entrada no Hospital Santa Júlia por volta das 13h30, com sintomas como tosse seca, febre e suspeita de laringite. Inicialmente, o caso não foi considerado grave. Às 14h29, a medicação foi administrada por uma técnica de enfermagem, seguindo prescrição da médica.
Pouco depois, o estado de saúde da criança se agravou rapidamente. Juliana foi acionada às 14h37 e, conforme a polícia, durante os primeiros atendimentos, utilizava o celular para buscar orientações com outros profissionais. Cerca de uma hora depois, às 15h46, ela teria trocado mensagens com uma amiga para tratar da venda de produtos de beleza, chegando a informar valores, oferecer desconto e enviar chave Pix.
Para os investigadores, o conteúdo das conversas reforça a hipótese de negligência no atendimento. A conduta, segundo o delegado responsável pelo caso, pode indicar indiferença diante da gravidade da situação, o que caracteriza, em tese, dolo eventual — quando se assume o risco de provocar o resultado.
A investigação também aponta que a médica teria encomendado a manipulação de um vídeo apresentado por sua defesa. O material sustentava a versão de que a prescrição incorreta teria sido causada por falha no sistema do hospital. No entanto, perícias indicaram alterações no conteúdo.
Em nota, a defesa de Juliana Brasil afirma que o vídeo é autêntico e foi produzido por um profissional de confiança em outra unidade de saúde que utiliza o mesmo sistema. Os advogados também negaram qualquer pagamento pela suposta adulteração e não comentaram sobre as mensagens relacionadas à venda de maquiagem durante o atendimento.

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