Trump critica política do Brasil e confunde Bolsonaros após G7
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversou com Luiz Inácio Lula da Silva durante a cúpula do G7, em Évian, na França, e teceu críticas ao cenário político brasileiro. Nesta quarta-feira (17), Trump classificou o Brasil como “politicamente difícil” e “perigoso”, além de se confundir ao comentar sobre os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O que aconteceu
Donald Trump criticou a situação política do Brasil, descrevendo-a como “politicamente difícil” durante a cúpula do G7.
O presidente americano se confundiu ao falar dos filhos de Jair Bolsonaro, misturando informações sobre Eduardo e Flávio.
Lula rebateu as declarações de Trump, enfatizando a civilidade das eleições brasileiras e a desnecessidade de interferência.
A declaração de Trump foi feita durante uma entrevista coletiva. Ao ser questionado sobre um possível diálogo com Lula a respeito de novas tarifas impostas ao Brasil pelos Estados Unidos e a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, o presidente americano confirmou apenas o encontro com o presidente brasileiro.
“Sim, passei bastante tempo com ele, na verdade”, afirmou Trump, sem detalhar os assuntos discutidos. Em seguida, ele analisou a situação política brasileira, declarando: “Tornou-se um país um pouco complicado, não é? Politicamente. Tem sido um pouco perigoso politicamente”.
Trump confunde filhos de Bolsonaro
Ao abordar o cenário eleitoral no Brasil, Donald Trump fez uma declaração equivocada ao misturar informações sobre os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O republicano mencionou ter sido informado de que “Bolsonaro Jr.” teria sido preso por uma declaração no Texas e que estaria bem posicionado nas pesquisas eleitorais. “Ouvi dizer que prenderam alguém que está concorrendo a um cargo hoje. Soube disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque fez uma declaração no Texas. Prenderam ele, ou querem prender ele”, afirmou.
A confusão de Trump mistura as situações de Eduardo Bolsonaro (PL) e Flávio Bolsonaro. Na terça-feira (16), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL) a quatro anos e dois meses de prisão por tentativa de interferência no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em uma investigação sobre tentativa de golpe de Estado.
Apesar da condenação, Eduardo Bolsonaro não foi detido, pois a decisão ainda não transitou em julgado e cabe recurso. A execução da pena só poderá ser determinada após o encerramento definitivo do processo. Atualmente, o ex-deputado reside nos Estados Unidos.
Já Flávio Bolsonaro, indiretamente citado por Trump ao mencionar pesquisas eleitorais, é quem se apresenta como pré-candidato à Presidência da República e não responde ao processo mencionado pelo presidente americano.
Eleições: Brasil x Estados Unidos
Durante a entrevista, Trump também traçou um paralelo entre o cenário político brasileiro e o sistema eleitoral dos Estados Unidos.
Segundo o ex-presidente americano, embora o Brasil “jogue duro” na política, os Estados Unidos enfrentariam uma situação ainda mais “extrema”. “Nossas eleições são totalmente roubadas”, afirmou ele.
Como Lula reagiu à fala de Trump?
Questionado sobre as declarações de Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu, afirmando que o líder americano não deveria interferir no processo eleitoral brasileiro.
Lula disse que Trump “demonstra desconhecer o funcionamento das eleições no país” ao fazer tais comentários. “Se tem alguém que tem que aprender com eleições civilizadas no Brasil é o meu amigo Trump. Na próxima vez que encontrar Trump, vou levar a urna eletrônica para mostrar como ela funciona”, declarou o presidente brasileiro.
O presidente Lula também informou que, no momento, não considera necessária uma reunião bilateral com o presidente dos Estados Unidos. Ele justificou que os dois países já mantêm negociações em andamento, motivo pelo qual não solicitou um encontro reservado durante a cúpula do G7.

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