Capitã morta: síndico relata festas com até 60 pessoas em ap de PMs
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| Foto: Reprodução |
“A perturbação do sossego era pelas brigas, pelos conflitos, mas também pelas festas que eles promoviam. Eram muitas pessoas dentro de um apartamento que nem é tão grande”, relatou.
“A maioria dos moradores não conhecia essas pessoas. Eles passaram senhas de acesso ao condomínio para os convidados e isso nos deixava muito inseguros”, disse.
Corregedoria foi acionada
Os problemas, segundo Dimas, se tornaram recorrentes ao longo dos últimos meses. Ele afirma que tentou resolver a situação diretamente com o casal, mas, diante da continuidade das reclamações, precisou recorrer à Corregedoria da Polícia Militar.
“O que foi passado era a nossa insatisfação e o desejo de mudança de comportamento deles. Aqui são 27 apartamentos e era o único que causava transtornos para todos os moradores”, afirmou.
O episódio mais crítico, segundo o síndico, ocorreu durante o Carnaval deste ano.
“Na Quarta-feira de Cinzas já eram quatro dias seguidos de festa, dia e noite. Recebi muitas reclamações de moradores com crianças e idosos em recuperação de problemas de saúde. Não tive outra alternativa a não ser acionar a Corregedoria.”
Após a intervenção, policiais militares compareceram ao local e conversaram reservadamente com o casal. Dimas disse que um equipamento de som utilizado nas festas foi retirado do apartamento.
“Eu presenciei a retirada do equipamento de som. Melhorou bastante, mas as festas continuaram”, contou.
Medo de denunciar
Segundo o síndico, embora as reclamações fossem frequentes entre os moradores, poucas chegavam a ser formalizadas. “Já tivemos denúncias anônimas porque a maioria das pessoas tinha medo. Eram autoridades, e isso gerava um certo temor”, afirmou.
Ele disse que o condomínio possui um livro de ocorrências, mas os moradores evitavam registrar oficialmente os problemas.
“A lei do silêncio praticamente não existia. Existia o silêncio dos moradores, que viviam acuados. Todo mundo reclamava, todo mundo sofria os problemas, mas poucos queriam colocar o nome no caderno de ocorrências”, diz o síndico.
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| Apesar dos conflitos, Dimas faz questão de diferenciar o relacionamento que Michele mantinha com os vizinhos |
“Ela era muito querida”
Apesar dos conflitos, Dimas faz questão de diferenciar o relacionamento que Michele mantinha com os vizinhos. “Ela era muito querida. Sempre teve uma relação muito amistosa com os moradores. O maior problema que a gente tinha era do outro lado. Da parte dela, sempre foi muito tranquila”, afirmou.
O caso
A capitã Michele Leão Azevedo, de 41 anos, morreu na última segunda-feira (20/7) após ser levada sem vida ao Hospital Odilon Behrens pelo marido, o 3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos.
O militar foi preso em flagrante por feminicídio. A prisão foi convertida em preventiva pela Justiça durante audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (22/7). Além do feminicídio, ele também responde por tráfico de drogas, após ser flagrado descartando comprimidos de ecstasy no banheiro do hospital.
A Polícia Civil investiga a dinâmica da morte e apura o histórico do relacionamento do casal. Familiares da capitã relataram que ela vivia um relacionamento abusivo e tentava colocar fim ao casamento.
*Metrópoles


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