Feminicídios crescem 66,7% no Amazonas no primeiro semestre de 2026, aponta Ministério da Justiça
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| Foto: Reprodução |
O Amazonas registrou um aumento de 66,7% nos casos de feminicídio no primeiro semestre de 2026, na contramão da tendência nacional, que apresentou uma redução de 2,5% no mesmo período. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
De janeiro a junho deste ano, o estado contabilizou 10 vítimas de feminicídio, contra seis casos registrados nos seis primeiros meses de 2025. Com esse índice, o Amazonas ocupa a terceira posição entre os estados com maior crescimento percentual do crime no país, atrás apenas de Sergipe e Goiás.
Especialistas avaliam que a redução registrada em nível nacional ainda está longe de representar um cenário positivo. Para a cientista social Valéria Marques, a diminuição é pequena e indica que a violência contra a mulher permanece em níveis elevados.
Segundo ela, as políticas públicas de enfrentamento à violência ainda não consideram as particularidades da região amazônica, como as grandes distâncias, a dificuldade de acesso aos serviços públicos e a vulnerabilidade de comunidades isoladas.
Outro fator apontado é a subnotificação dos casos, motivada tanto pelo medo de denunciar quanto pela ausência de estruturas de acolhimento em áreas rurais, ribeirinhas e indígenas.
A diretora da Faculdade de Psicologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Iolete Ribeiro, defende que o combate à violência precisa contemplar as diferentes realidades vividas pelas mulheres no estado.
Ela também destaca a importância de ampliar ações educativas voltadas principalmente aos homens, promovendo debates sobre igualdade de gênero e prevenção da violência, além de fortalecer uma rede permanente de proteção às vítimas.
Casa da Mulher Brasileira segue sem previsão
Anunciada há mais de seis anos para o Amazonas, a Casa da Mulher Brasileira ainda não tem data para entrar em funcionamento. O espaço foi concebido para oferecer atendimento integrado e humanizado a mulheres em situação de violência doméstica.
Para Jacqueline Suriadakis, fundadora do projeto Fênix Amazonas, a demora na implantação da unidade e a falta de campanhas permanentes de conscientização contribuem para o aumento dos casos de feminicídio no estado.
Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc-AM) informou que já cumpriu as exigências necessárias para a retomada da obra e que aguarda a conclusão de ajustes técnicos e orçamentários junto à Caixa Econômica Federal. Segundo a pasta, o cronograma para conclusão dos serviços será definido após a contratação da nova empresa responsável pela execução da obra.

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