Incêndios avançam na França e na Espanha e tiram 260 mil pessoas de casa
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| Foto por LUIS ROBAYO / AFP |
Incêndios florestais fora de controle avançaram neste sábado (25) por regiões da França e da Espanha e obrigaram cerca de 260 mil pessoas a deixar suas casas.
As situações mais críticas estão no sudoeste francês, perto de Bordeaux, e nos arredores de Madri. As autoridades dos dois países determinaram novas evacuações durante a noite diante da mudança dos ventos e do avanço das chamas sobre áreas residenciais.
Na Espanha, dois incêndios que atingiam o oeste da região de Madri se uniram na sexta-feira (24), formando um grande foco que se aproximou de outro incêndio na região vizinha de Castela e Leão.
As chamas já consumiram cerca de 25 mil hectares entre Madri e a província de Ávila. Mais de 60 mil pessoas tiveram de deixar suas casas, segundo as autoridades locais.
O governo regional classificou o incêndio como o pior já registrado na região de Madri.
“A situação é complexa. As condições meteorológicas não ajudaram em absoluto. A noite que temos pela frente não se apresenta favorável; não será fácil para nós”, afirmou o ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska.
Embora os principais focos ainda estejam distantes do centro da capital, o fogo atinge municípios populosos cercados por áreas florestais e vegetação seca, o que facilita a propagação.
Em Navalagamella, cidade de cerca de 3 mil habitantes, moradores foram retirados às pressas.
“Pensei que tudo iria se incendiar, a casa, tudo. Já tinha preparado uma mala para coisas básicas”, contou a peruana Jacqueline Villafranca, de 38 anos, que deixou o município com o marido e as duas filhas.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que a prioridade é proteger a população.
Segundo ele, a queda das temperaturas trouxe algum alívio, mas a direção dos ventos ainda dificulta o trabalho das equipes.
Mais de 2 mil pessoas recebiam atendimento em 14 centros de emergência montados na região de Madri.
Em outro incêndio, em Manises, perto de Valência, uma pessoa morreu. O fogo foi controlado, segundo as autoridades.
Fogo avança perto de Bordeaux
Na França, os incêndios se concentram nos departamentos de Gironde e Landes, no sudoeste do país.
Na noite deste sábado, cerca de 8 mil moradores de Marcheprime e Cestas, a menos de 30 quilômetros de Bordeaux, receberam ordem para deixar suas casas.
Com a nova retirada, o número de pessoas deslocadas na região ultrapassou 200 mil.
As chamas já destruíram mais de 32 mil hectares em Gironde e atingiram ao menos 140 casas.
Bombeiros relataram que a força do incêndio provocou a formação de um pirocumulonimbo, fenômeno em que o próprio fogo cria correntes de vento e redemoinhos.
Esse tipo de formação torna o avanço das chamas mais instável e dificulta a atuação das equipes.
A França mobilizou 1.500 militares para apoiar as evacuações, proteger casas abandonadas e auxiliar no combate ao fogo.
O país também utilizou pela primeira vez um avião militar A400M para lançar produtos destinados a retardar o avanço das chamas.
“Reconstruiremos, repararemos e estaremos presentes por todo o tempo que for necessário”, afirmou o presidente Emmanuel Macron nas redes sociais.
Calor e seca agravam situação
Desde o início do ano, os incêndios já queimaram mais de 168 mil hectares na Espanha, segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais.
Na França, a área atingida chegou a 98 mil hectares.
A combinação de seca prolongada, temperaturas elevadas e vegetação ressecada criou condições favoráveis para a propagação do fogo.
Cientistas apontam que as mudanças climáticas aumentam a frequência e a intensidade das ondas de calor, ampliando o risco de incêndios florestais de grande escala.

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