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Neymar encerra "era" na seleção e abre caminho para renovação e novos protagonistas

Neymar após derrota do Brasil na Copa — Foto: ANGELA WEISS/AFP
“Tentei. Agora acabou. Comecei aqui, fechei aqui”. A fala de Neymar no calor da eliminação do Brasil para a Noruega na Copa do Mundo, em uma conversa informal que vazou na transmissão da GE TV, foi seguida por semanas de ausência de uma declaração oficial do jogador sobre o fim ou não de seu ciclo na seleção brasileira. Silêncio esse que foi quebrado na última terça-feira. Falando a jornalistas após a classificação do Santos às oitavas de final da Sul-Americana, o craque indicou a aposentadoria da Amarelinha.

— Meu momento na seleção brasileira já foi. Fiz história, fui muito feliz, vivi muitas coisas, dei meu sangue, minha vida, sempre briguei e lutei pela Amarelinha. Mas acho que não quero mais, não — disse Neymar na Vila Belmiro, depois da vitória sobre a UCV da Venezuela.

Procurada pela reportagem, a CBF afirmou considerar a possibilidade de um jogo de despedida para Neymar, mas, no momento, diz não haver nada previsto, “pois o jogador continua em atividade”.

O jogador de 34 anos terá 38 na próxima Copa do Mundo, e é pouco factível pensar que possa estar em boas condições físicas, até pelas dificuldades que apresentou nesta última edição. As contusões são uma constante em sua carreira e, nos EUA, conviveu com a recuperação de uma lesão de grau 2 na panturrilha direita. Como resultado, Neymar fez um Mundial discreto, como coadjuvante, tendo participado apenas dos jogos contra Escócia e Noruega e marcado um gol de pênalti quando o Brasil estava praticamente eliminado.

Ao mesmo tempo, a seleção se vê diante do fim do ciclo de sua maior referência nos últimos 16 anos. Nesse período, Neymar foi astro solo e alcançou feitos que não são desprezíveis. O maior deles ter se tornado o artilheiro histórico da Amarelinha, com 80 gols, superando a marca de Pelé. Porém, com o sabor amargo de não ter conquistado a sonhada Copa do Mundo.
Números de Neymar pela seleção brasileira — Foto: Editoria de Arte
Neymar, aliás, conquistou apenas um título pela seleção: a Copa das Confederações, em 2013 — ele não estava no grupo campeão da Copa América de 2019. A inédita medalha de ouro para o Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, tem lugar mais do que especial, mas o torneio não conta nas estatísticas de futebol profissional por ser disputado por equipes sub-23. Em quatro Mundiais, sequer disputou uma semifinal. Em 2014, sofreu uma fratura na lombar e ficou fora do fatídico 7 a 1 para a Alemanha.

A trajetória, somada às polêmicas extracampo e até a preferências políticas, polariza torcedores entre aqueles que são críticos ferrenhos ao jogador e os que o defendem a todo custo. Os anos finais do último ciclo pela seleção foram marcados pelo debate entre sua presença ou ausência no Mundial. No fim das contas, Carlo Ancelotti cedeu à pressão e o incluiu na convocação.

Após a eliminação, o treinador italiano, porém, já olha para frente e projeta um trabalho de renovação do grupo. Em entrevista ao ge, ele falou abertamente sobre o encerramento de ciclo não só de Neymar, mas de outros veteranos.

— Acho que com essa Copa do Mundo termina uma geração de jogadores muito importantes. Começando por Neymar. Passando por Danilo, Casemiro, todos esses jogadores que na Copa do Mundo tinham mais de 30 anos — disse o técnico italiano, que retornou ao Brasil nesta semana.

Procura-se protagonista
A saída de cena de Neymar deixa ainda mais aberto o caminho para Vinicius Junior se consolidar como a referência da seleção brasileira. O atacante do Real Madrid já exerceu este papel na Copa, tendo sido o destaque da seleção. Daqui em diante, porém, não terá mais a sombra do camisa 10.

Outros nomes também podem surgir como candidatos a expoentes desta nova geração. Estêvão, fora do Mundial por lesão, agrada muito a Ancelotti. Endrick e Rayan são outros jovens com longo caminho pela frente com a Amarelinha.

Neymar coloca um ponto final em sua era pela seleção e deixa em aberto até onde irá a sua carreira como jogador profissional. Entre a possibilidade de renovar contrato com o Santos, seguir para outro clube — o futebol dos Estados Unidos já foi apontado como destino — ou se aposentar, ainda não existe uma pista concreta sobre sua próxima decisão.

*Extra

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