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Chile autoriza aplicação da CoronaVac em crianças a partir de 6 anos e pode ser exemplo para o Brasil

 

© AP - Esteban Felix

O Instituto de Saúde Pública do Chile aprovou o uso da vacina chinesa CoronaVac em crianças a partir dos seis anos de idade, uma decisão que pode facilitar as pretensões, no Brasil, do Instituto Butantan que tenta a mesma autorização por parte da Anvisa.

O Chile tornou-se o primeiro país da América Latina e o segundo no mundo, fora da China, a autorizar o uso da CoronaVac em crianças, mais exatamente entre 6 e 17 anos de idade. Tornou-se também o primeiro país na região a aprovar a aplicação pediátrica de um imunizante tradicional, feito com o vírus inativo. Até agora o uso de vacinas em crianças e adolescentes estava restrito às vacinas elaboradas a partir da tecnologia de RNA mensageiro: Pfizer-BioNTech e Moderna.

A votação das autoridades sanitárias do Instituto de Saúde Pública, com especialistas externos da Sociedade Chilena de Pediatria e da Sociedade Chilena de Infectologia, foi dividida quanto à faixa etária. Cinco votos foram favoráveis ao uso a partir dos seis anos de idade. Dois votos preferiam que fosse a partir dos 12 anos. Apenas um voto foi contra o uso em crianças por considerar que ainda faltam dados para uma decisão.

Num primeiro momento, a proposta a ser avaliada incluía crianças a partir dos três anos de idade, ponto de partida que foi descartado devido à falta de antecedentes para esse uso emergencial.

Para a aprovação, foram considerados os ensaios clínicos das fases I e II realizadas na China com mais de 40 milhões de crianças de 3 a 17 anos de idade, entre 28 de maio e 15 de agosto.

Crianças ficaram mais expostas

Os especialistas defenderam que a vacinação em crianças é fundamental para conter a circulação do vírus porque, com a vacinação avançada em adultos, as crianças ficaram mais expostas.

Heriberto García, diretor do Instituto de Saúde Pública, órgão regulador chileno, argumentou que "o uso nas crianças é importante devido ao aumento da quantidade de contágios naqueles que não estão vacinados e porque as crianças são vetores, podendo levar o vírus para dentro de casa".

A médica Leonor Jofré, da Sociedade Chilena de Pediatria, indicou que com a campanha de vacinação avançada, "as crianças podem tornar-se reservatórios do vírus". Revelou que "a resposta imune é mais robusta nas crianças" e que, por isso, "provavelmente, a imunidade dure mais tempo".

"O presidente chileno, Sebastián Piñera, apontou que a campanha vai começar "em breve nos colégios", e a vice-secretária da Saúde, Paula Daza, acrescentou que o começo da vacinação infanto-juvenil será neste mês de setembro, "uma campanha que irá às escolas vacinar cada aluno".

Além do Chile e fora da China, o uso em crianças da vacina CoronaVac do laboratório chinês Sinovac só foi aprovado na Indonésia. Os imunizantes aprovados para crianças e adolescentes até agora são os da Pfizer e da Moderna

Referência para o Brasil

No Brasil, em 18 de agosto passado, a Anvisa rejeitou o uso emergencial em crianças feito pelo Instituto Butantan, produtor da vacina chinesa no país. A rejeição baseou-se na falta de dados adicionais que permitam uma conclusão sobre a segurança e a eficácia do uso pediátrico da vacina. O avanço da experiência chilena poderia somar dados para uma nova avaliação das autoridades brasileiras.

Na região, Chile, Uruguai e Brasil são os países que usam a CoronaVac de forma maciça.

Até agora, 72% da população chilena de 19 milhões de pessoas completaram o esquema de vacinação, fazendo do Chile uma referência mundial. O governo chileno traçou a meta de vacinar 80% da população, o equivalente a 15,2 milhões de pessoas, para atingir a imunidade coletiva. Desses, 86% já foram completamente vacinados.




Fonte: rfi

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