Conflito em Humaitá entre indígenas e não indígenas deixa um morto e um ferido por flechada
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| Foto: reprodução/ redes sociais |
A vítima fatal foi identificada como José Aílton Teodoro dos Santos, agricultor, cujo corpo foi encontrado no rio com marcas de golpes na cabeça. Já Roney Vieira dos Santos sobreviveu após ser atingido por uma flecha e passou por cirurgia no Hospital de Humaitá, onde permanece em estado estável.
Dinâmica do conflito
Segundo boletim de ocorrência registrado por familiares, indígenas teriam invadido a casa de José Aílton, fora do território tradicional, levando alimentos e roupas. Quatro homens, entre eles José Aílton, teriam saído de barco em busca de recuperar os pertences, quando foram atacados com flechas.
O agricultor Enedino Florentino da Silva, 42, nega que o grupo tenha ido atrás dos indígenas e afirmou que conseguiu se esconder na floresta com o filho, enquanto testemunhava o ataque. “Quando fugi, vi o pirahã chegar perto dele e ainda cortar na cabeça com facão. Canoa, motosserra, eles levaram tudo. Eu e meu filho nos salvamos”, relatou.
Contexto e tensões
Os pirahãs, caçadores-coletores considerados de recente contato, mantêm um modo de vida tradicional e evitam convívio com a sociedade não indígena. De acordo com lideranças da Organização dos Povos Indígenas do Alto Madeira (Opiam), a comunidade enfrenta escassez de alimentos, situação agravada pelo período de seca.
A coordenadora Apoliana Jiahui Pirahã criticou a atuação da Frente de Proteção Etnoambiental Madeira-Purus, responsável pela proteção da área. “A gente vem avisando: tem que ver o que está acontecendo, não é assim que se trabalha com o povo pirahã”, afirmou.
Uma indigenista que já atuou com o povo relatou que eles geralmente são pacíficos e só atacam em revide, apontando que a fragilização da Funai e disputas internas têm prejudicado a assistência.
Repercussão
Após o episódio, moradores bloquearam a BR-230 (Transamazônica) em protesto. Vídeos do corpo da vítima circulam em grupos de WhatsApp acompanhados de mensagens de revide contra os indígenas, o que acende alerta para novas tensões na região.
A SSP-AM informou que, por se tratar de território indígena, a investigação deve ser conduzida pela Polícia Federal, que ainda não se manifestou. A Funai, em Brasília, declarou que acompanha o caso junto ao Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e aguarda mais informações.

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