Guerra deixa marcas na saúde mental de 10 milhões de pessoas na Ucrânia
![]() |
| Nina Liashonok/Ukrinform/NurPhoto via Getty Images |
“Mesmo que nosso corpo não tenha sido capturado pelo inimigo, nosso corpo foi”, afirma o escritor ucraniano em um dos últimos capítulos do livro “Ucrânia: diário de uma guerra”.
Lançada em 2025, a obra é um registros dos primeiros dois anos de guerra. Nas cerca de 400 páginas, Kurkov descreve como o conflito passou a impactar o cotidiano, e as mentes, de milhares de ucranianos.
Ao Metrópoles, o doutor Jarno Habicht, que atuou como representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) na Ucrânia nos últimos 8 anos, revela que 1 em cada 5 pessoas que vivem em áreas afetadas pela guerra relataram algum tipo de condição de saúde mental adversa após o início da guerra.
“Para entender a situação, é importante reconhecer as condições em que o povo da Ucrânia vive atualmente”, explica o médico. “Existe uma ameaça constante à vida e à saúde, ataques dia e noite, interrupções no sono, preocupação com entes queridos que servem nas forças armadas ou vivem em regiões no front de batalha, o impacto econômico mais amplo da guerra, entre outros fatores. Tudo isso afeta inevitavelmente a saúde mental e o bem-estar das pessoas”.
Guerra se arrasta por mais de quatro anos
- A guerra na Ucrânia começou em 24 de fevereiro de 2022, após a Rússia lançar uma invasão em larga escala contra o país vizinho.
- De acordo com a Organização das Nações Unidas, cerca de 1,4 milhão de militares, de ambos os lados, morreram.
- O número de vítimas civis gira em torno de 14 mil, enquanto mais de 37 mil pessoas ficaram feridas.
- A violência também forçou mais de 9 milhões de pessoas a fugirem de suas casas na Ucrânia. Deste número, 5,9 milhões buscaram refúgio em outros países, informou a Agência da ONU para Refugiados (Acnur). Outros 3,7 milhões de ucranianos estão deslocadas dentro do próprio país.
- Rússia e Ucrânia começaram a negociar um possível acordo de paz em meados de 2025, com a mediação dos Estados Unidos.
- Mas, apesar dos esforços e da promessa do presidente Donald Trump de encerrar o conflito, as conversas não avançaram.
Homens, mulheres, meninos e meninas. Os impactos psicológicos negativos do conflito não escolhem gênero ou idade, e afetam a população ucraniana muito antes da guerra em grande escala que começou em 2022.
O antigo chefe do escritório da Organização Mundial de Saúde (OMS) na Ucrânia, que deixou o posto no início deste mês, alerta que o processo de deterioração da saúde mental de ucranianos começou em 2014. Naquele ano, a Rússia iniciou uma invasão em pequena escala na região da Crimeia, onde viviam aproximadamente 2 milhões de pessoas.
De lá para cá, as necessidade de apoio psicológico na Ucrânia aumentaram com uma explosão de casos após a ofensiva russa em 2022.
*Metrópoles

Nenhum comentário