Fumaça volta a encobrir Manaus, e capital lidera ranking de poluição do ar no Brasil
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| Foto: reprodução/ Sandro Pereira - Estadão Conteúdo |
De acordo com o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a qualidade do ar atingiu a classificação “péssima”, o nível mais crítico da escala utilizada pelo sistema.
Nos bairros Compensa, na zona oeste, e Petrópolis, na zona sul, os índices chegaram a 305,3 microgramas de partículas poluentes por metro cúbico (µg/m³).
Até as 22h, dos pontos monitorados em Manaus, 11 registravam qualidade do ar péssima, dois apresentavam nível muito ruim e um estava na classificação ruim.
A fumaça já havia sido registrada durante a manhã e voltou a tomar conta do céu da capital no período da noite. Além das queimadas na Região Metropolitana, o tempo seco contribui para agravar a situação. Não havia previsão de chuva para os próximos dias, segundo as informações divulgadas.
Interior registra índices ainda mais elevados
A poluição também atingiu municípios do interior do Amazonas. Dados do Selva apontaram qualidade do ar péssima em nove localidades, com destaque para Parintins, onde a concentração chegou a 402,6 µg/m³, e Novo Aripuanã, com 370,5 µg/m³.
Outros registros foram observados em Urucurituba (285,4 µg/m³), Autazes (282,7 µg/m³), Itacoatiara (195,6 µg/m³), São Sebastião do Uatumã (144,6 µg/m³), Maués (143,4 µg/m³), Boa Vista do Ramos (138,4 µg/m³) e Careiro da Várzea (135,1 µg/m³).
Em Itacoatiara, dois incêndios de grandes proporções estavam em andamento. Um dos focos foi registrado na quarta-feira (7), nas proximidades do bairro Jacarezinho. O outro começou em 19 de setembro, na região do Lago do Canaçari, e completou 19 dias nesta quinta-feira.
No Careiro da Várzea, um incêndio atingiu uma área de vegetação perto do ramal do Bom Futuro. Já em Parintins, foram registrados 20 focos de incêndio ao longo do dia, tanto na área urbana quanto na zona rural, mobilizando bombeiros e moradores.
Prefeitura aponta Itacoatiara como origem da fumaça
Em manifestação divulgada mais cedo, a Prefeitura de Manaus atribuiu a fumaça que encobre a capital às queimadas na Região Metropolitana, apontando Itacoatiara como principal origem.
A administração municipal, no entanto, não mencionou o incêndio que atingia havia mais de 48 horas um terreno no Distrito Industrial 2, na zona leste da capital.
O Governo do Amazonas também informou ter discutido medidas para enfrentar a situação. Nesta quinta-feira, o governador Roberto Cidade comandou uma reunião do Comitê de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, com foco em ações de prevenção, fiscalização e combate aos incêndios.
O governo estadual não apontou um município específico como origem da fumaça. O secretário de Estado do Meio Ambiente, Miqueias Santos, relacionou o cenário à intensificação das queimadas e às condições climáticas associadas ao El Niño.
Qualidade do ar exige atenção
A classificação “péssima” indica um cenário de elevada concentração de partículas poluentes no ar. A escala do Selva considera boa a qualidade do ar quando os índices ficam entre 0 e 25 µg/m³; acima desse intervalo, as categorias avançam de moderada a péssima.
A persistência da fumaça e os níveis registrados em Manaus e no interior reforçam a preocupação com os impactos da poluição sobre a população, especialmente durante o período de estiagem.

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