Justiça torna médica e técnica de enfermagem rés por morte de criança após aplicação de adrenalina em Manaus
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| Foto: reprodução |
Conforme as investigações, Benício morreu no dia 23 de novembro de 2024, após receber adrenalina por via intravenosa durante atendimento no Hospital Santa Júlia, em Manaus. O Ministério Público sustenta que a dosagem prescrita e a forma de administração do medicamento eram incompatíveis com o quadro clínico da criança.
Segundo a denúncia, a médica Juliana Brasil teria realizado uma prescrição eletrônica contendo uma superdosagem de adrenalina. A medicação foi aplicada pela técnica de enfermagem Raíza Bentes, seguindo a orientação médica. Após o procedimento, o menino sofreu sucessivas paradas cardíacas e morreu.
O MP-AM atribuiu às duas acusadas o crime de homicídio qualificado por dolo eventual, entendimento utilizado quando o investigado assume o risco de provocar o resultado. A denúncia também inclui a qualificadora relacionada ao uso de substância considerada potencialmente letal.
Além da acusação pela morte da criança, Juliana Brasil responderá por falsidade ideológica. De acordo com o Ministério Público, ela teria utilizado documentos e carimbos que indicavam especialização em pediatria sem possuir o Registro de Qualificação de Especialista (RQE), situação que teria ocorrido em dez oportunidades.
Na mesma decisão, a Justiça homologou o arquivamento parcial das investigações envolvendo outros profissionais e gestores do hospital. Médicos plantonistas e administradores da unidade de saúde deixaram de ser investigados após o MP-AM concluir que não havia elementos suficientes para responsabilização criminal.
Também foram arquivadas as apurações referentes aos supostos crimes de fraude processual e uso de documento falso atribuídos à médica.
O magistrado autorizou ainda a participação dos pais de Benício, Bruno Mello de Freitas e Joyce Xavier de Carvalho, como assistentes de acusação. Com isso, eles poderão acompanhar o andamento do processo ao lado do Ministério Público.
A decisão também retirou parte do segredo de Justiça que envolvia o caso. Entretanto, vídeos, fotografias e outros registros que mostram a criança em estado grave ou após a morte continuarão protegidos por sigilo, com o objetivo de preservar a dignidade da vítima e evitar sofrimento adicional à família.
Com o recebimento da denúncia, as duas rés deverão ser citadas para apresentar defesa no prazo de dez dias. Caso não sejam localizadas, a Justiça determinou que a citação seja feita por edital.

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